domingo, 29 de novembro de 2009

se numa noite de inverno um viajante

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de viajante quase nenhuma linha. o caderno comprado para as linhas só tem nomes e números, endereços e rostos...
como viajante não sei escrever (talvez porque nunca me sinta uma viajante, mas sempre em casa).
com o livro em minhas mãos algo treme, algumas querem sair e o dia é lento e a chuva é fina e ela cai em silêncio. o dia não tão frio como poderia ser.
o moço indiano disse que o dia é romântico, a moça brasileira disse que é clichê. nós vamos juntas para clichy... mas eu até acho o dia romântico, ou melancólico, romântico de um amor que já se foi... o dia é de se despedaçar... mas talvez paris nos dê um tanto da banal realidade que em marnay não há... talvez...
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há algo no clichê que escapa a ele. há algo em chorar na hora esperada que não é esperado. assim como o que volta ao voltar a clichy...
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há algo em paris que não é paris...

sábado, 24 de outubro de 2009

c'est ça

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au dessus des toits:

- étoile c'est toi
- estrela é ela

e lá está
c'est trop tôt
no pesar do tempo
apesar das horas

:au dessous de toi


mayra e talita

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

gosto. do que se ouve por aí, em músicas ou não. ultimamente do som dos trens e das marcas dos trilhos na paisagem. do vento criado pelos carrosséis... aqui há muitos deles, em várias praças, só não mais do que chafarizes. todas as praças tem chafarizes por aqui, até as tentativas de praças. as ruas são pequenas e sinuosas. gosto disso também e dos tetos feitos de pequenos tijolinhos. dos cachorros perdidos e daqueles que os seguem, os mendigos. mas como sempre, gosto mais das gentes, de tentar falar e não conseguir, e rir, de querer tomar suco de melancia e não poder pois ela se chama pastèque e só a chinesa do seu lado sabe disso e ela não sabe dizer. e só um francês chamaria a melancia de pastèque. às vezes é melhor o silêncio. quando você quer dizer muitas coisas, mas só sabe dizer "très bon!", e se a italiana do seu lado começa a falar e você mistura tudo e fica "tri buono!" e vocês riem assim como as pessoas do metrô que se divertem com quatro sotaques diferentes tentando conversar. gosto das bicicletas paradas esperando que alguém as tire de lá. as bicicletas na madrugada, quase todas estragadas... para onde vãos as bicicletas quando o sol vai se deitar? quem pagou um euro para tirá-las de lá? gosto de estar em casa, gosto deles e do encontro na hora do jantar. dos livros antigos ao meu redor, do flaubert em quadrinhos e do balanço abandonado lá fora, ele também esperando o trem passar...

domingo, 11 de outubro de 2009

paris me esperou cinza e linda, como dizem ser seu costume.
paris ainda me surpreendeu com fogos em montmartre quando a cerveja mais barata e o programa despretensioso quase acabavam.
paris me esperou com sol, luzes coloridas que voam alto e com um calorzinho unusual que, também ele, nos últimos abraços, se despedia.

domingo, 4 de outubro de 2009

il y a des larmes
mais
il n'y a pas d'alarme.
ah larmes!
vous êtes si
silencieuse
vous n'avais
rien a dire








terça-feira, 29 de setembro de 2009






- eh ! qu'aimes-tu donc, extraordinaire étranger?
- j'aime les nuages ... les nuages qui passent ... là-bas ... là-bas ... les merveilleux nuages !



charles baudelaire, petits poème en prose (le spleen de paris)










domingo, 27 de setembro de 2009

quando se parte
a solidão não é mais sólida