quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

distante

a neve era o preanúncio
o antes do não
eu fiz uma foto de brancos pensando nela
e quando voltei dos brancos e chorei na sale de bain
ela chorava num banheiro distante.
a alegria dos trenós e a coceira dos cachorros então eram também distantes.
eu te vi neve sob o meu portão
e fui te buscar la onde és mais bela, lá onde custas a acinzentar
e o dia foi lindo antes do não
e resta lindo mesmo após
só que mais distante
pois sem promessa.

sem promessa

eu não gosto daqueles que não suportam o meu choro
que em sua reação trazem sempre a tarefa de me fazer parar
mas esses, ainda bem, são poucos.
por sorte ou tato sigo rodeada de gentes que me deixam me inundar.
se é um desespero, que não seja um desespero calado.


saí da sale de bain e passei pelo salon. lá ela não me quis fazer parar. de modo que meus olhos vermelhos - eles eram vermelhos do branco, vermelhos do amarelo do sol, vermelhos de reflexo, de adeus - saíram para passear e encontraram dois pares de olhos claros também tristes, mas cheios de esperanças. brindaram todos com rum à baunilha aos choros que não devem parar e aos instantes que essas lágrimas celebram.

mesmo sem promessa

eu já sinto a cada instante o peso de estar distante e,
não importa onde eu vá,
esse é um lugar do qual não posso mais sair.

dúvida

se no brasil a gente chora no banheiro
na frança a gente chora no toilette
ou na sale de bain?

sábado, 16 de janeiro de 2010


il y a des larmes
et il y a d'alarme

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

por favor não desapareça.

eu disse isso silenciosamente

para ela

ela desaparece

já que longe

já que mar

já que o mar é melhor do que aqui. do que ali.

já que o mar é também casa.

já que o sol brilha mais amarelo do que essa tela.

mesmo que os olhos não suportem.

no sol eles podem se fechar.

eu disse.

não suma.

sua mão,

consumida,

só ela aceitou.

e ela

distante.

num instante

sumiu.

e no entanto sempre chega um vento seu.

mesmo que desapareça.

.

eu disse a ele

não desapareça

e desapareci.

.

mesmo que eu não queira, não perceba e não pense.

ele passa por aqui

mesmo que ele não queira, não perceba e não pense.

e só pese o longe

ele vem leve.

vem e me leva.

.

com a verdade das incertezas dela

que pesa.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

todos os anos aniversário

e era meu aniversário.
e eu não querendo ser
a solidão precisa no momento de não ser. no momento que dizem que você é. só. só você e a torre que lhe ergueu. só você e todos os outros que sempre estão. só você e o medo de ser óbvia, e o medo, maior ainda de não ser óbvia. só você e a tristeza do outro, só você e o seu próprio choro.
ela sempre diz coisas pra mim. mesmo que não fale. e mesmo que fale não para mim.
o corpo que não esconde quer corpo que esconde. e outros corpos também. e alguns copos, quebrados como os pratos.

não me deixa, não me deixem. não me deixem fugir.

é impossível fugir quando todos os lugares são a sua casa...



comentário ao post da mayra no dia 20 de dezembro

sábado, 12 de dezembro de 2009

7 a.m.

j’ai peur quand le jour ne vient pas
la nuit, elle n’est pas arrivé complètement non plus
moi, qui ne me suis pas couché
moi, qui ne suis pas entré
dans la nuit j'attends le jour
j’ai peur si le jour ne vient pas
je pleure
pour le jour
que ne viendra pas

domingo, 29 de novembro de 2009

se numa noite de inverno um viajante

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de viajante quase nenhuma linha. o caderno comprado para as linhas só tem nomes e números, endereços e rostos...
como viajante não sei escrever (talvez porque nunca me sinta uma viajante, mas sempre em casa).
com o livro em minhas mãos algo treme, algumas querem sair e o dia é lento e a chuva é fina e ela cai em silêncio. o dia não tão frio como poderia ser.
o moço indiano disse que o dia é romântico, a moça brasileira disse que é clichê. nós vamos juntas para clichy... mas eu até acho o dia romântico, ou melancólico, romântico de um amor que já se foi... o dia é de se despedaçar... mas talvez paris nos dê um tanto da banal realidade que em marnay não há... talvez...
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há algo no clichê que escapa a ele. há algo em chorar na hora esperada que não é esperado. assim como o que volta ao voltar a clichy...
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há algo em paris que não é paris...