fim de férias

Uma sombra passou por aqui e levou os gritos que por segundos considerei dispensáveis, um segundo pensando que se quer deixar de férias e se quer começar o ano e se quer um pouco de silêncio e boom, somos traídos pela própria realização de nosso desejo: estar só, como se soubesse o que é isso, e como se tivesse algum dia estado, e como se pudesse suportar.


Ah, como dói esse silêncio, esse opaco vazio entre móveis desempoeirados e cheira a saudade mostrando seus rasgos onde antes havia pó e pouco espaço.


Foram embora pelas costas

saí sem olhar pra trás, não vi essa hora

quando tudo mudou


Voltei e murchei


Ah, essa vida que passa sempre quando a gente não está, ou dorme do nosso lado quando olhamos pela janela. Atthis? Aquela que é também passarinho? Pra onde voa? E isso importa? Não és tu mesma a trair, querendo estar sempre onde não estás? Lagartixas nunca quiseram voar e olha que sorridentes e simpáticas.


E quando voltas para casa e vês que já é tarde (tarde por ora) que a casa está vazia, comes o bombom-lembrança num entre lágrima e sorriso apertado, pensas nos abraços que não destes, nas risadas compartilhadas, em todas as músicas, no vídeo a ser gravado, no café sagrado e na comida dividida de quem cozinha com mais sal do que tu.


“Me passa o açúcar, por favor?”




Comentários

N disse…
Ainda bem que "a cada pouco" tem concurso aí pelas redondezas pra gente se hospedar na pousada BaTata xD
é, ainda há lágrimas que não sujam o rosto... obrigada.
Beijone!

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