gosto. do que se ouve por aí, em músicas ou não. ultimamente do som dos trens e das marcas dos trilhos na paisagem. do vento criado pelos carrosséis... aqui há muitos deles, em várias praças, só não mais do que chafarizes. todas as praças tem chafarizes por aqui, até as tentativas de praças. as ruas são pequenas e sinuosas. gosto disso também e dos tetos feitos de pequenos tijolinhos. dos cachorros perdidos e daqueles que os seguem, os mendigos. mas como sempre, gosto mais das gentes, de tentar falar e não conseguir, e rir, de querer tomar suco de melancia e não poder pois ela se chama pastèque e só a chinesa do seu lado sabe disso e ela não sabe dizer. e só um francês chamaria a melancia de pastèque. às vezes é melhor o silêncio. quando você quer dizer muitas coisas, mas só sabe dizer "très bon!", e se a italiana do seu lado começa a falar e você mistura tudo e fica "tri buono!" e vocês riem assim como as pessoas do metrô que se divertem com quatro sotaques diferentes tentando conversar. gosto das bicicletas paradas esperando que alguém as tire de lá. as bicicletas na madrugada, quase todas estragadas... para onde vãos as bicicletas quando o sol vai se deitar? quem pagou um euro para tirá-las de lá? gosto de estar em casa, gosto deles e do encontro na hora do jantar. dos livros antigos ao meu redor, do flaubert em quadrinhos e do balanço abandonado lá fora, ele também esperando o trem passar...

Comentários

Guilherme Franco disse…
...esperando você


nada chegou
a não ser o encanto

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