distante

a neve era o preanúncio
o antes do não
eu fiz uma foto de brancos pensando nela
e quando voltei dos brancos e chorei na sale de bain
ela chorava num banheiro distante.
a alegria dos trenós e a coceira dos cachorros então eram também distantes.
eu te vi neve sob o meu portão
e fui te buscar la onde és mais bela, lá onde custas a acinzentar
e o dia foi lindo antes do não
e resta lindo mesmo após
só que mais distante
pois sem promessa.

sem promessa

eu não gosto daqueles que não suportam o meu choro
que em sua reação trazem sempre a tarefa de me fazer parar
mas esses, ainda bem, são poucos.
por sorte ou tato sigo rodeada de gentes que me deixam me inundar.
se é um desespero, que não seja um desespero calado.


saí da sale de bain e passei pelo salon. lá ela não me quis fazer parar. de modo que meus olhos vermelhos - eles eram vermelhos do branco, vermelhos do amarelo do sol, vermelhos de reflexo, de adeus - saíram para passear e encontraram dois pares de olhos claros também tristes, mas cheios de esperanças. brindaram todos com rum à baunilha aos choros que não devem parar e aos instantes que essas lágrimas celebram.

mesmo sem promessa

eu já sinto a cada instante o peso de estar distante e,
não importa onde eu vá,
esse é um lugar do qual não posso mais sair.

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