carrega no teu corpo a tua terra, pois venta muito nesses dias quentes de inverno. talvez eles venham, eles que não sabemos, mas pressentimos novos tempos. eles sempre vem. mas nesses dias, talvez porque eu seja “mais grande” e o desatino me acompanha na mesma direção, vejo mais o furacão, saboreio a vertigem em seu gosto que não é só um. ele, um deles, disse na segunda-feira que era hora de nos sentirmos vivos e que nos sentíamos, eu olhava ao redor e via vários gritos solitários. te abraço agora, na ponta do pé com medo de cair no abismo que nos separa. eu tenho quatro solidões colecionadas em caixinhas bem pequenas, mas quando estico a mão pra fora e sinto a pele dela, uma delas, quando nas poucas vezes eu sinto que existe algo de verdadeiro, eu penso que tudo poderia ficar bem. e fica, só que solitariamente bem. ele, um deles, disse ontem que ela, uma delas, ela não ama. ele já me disse tanta coisa e me deu tanto motivo pra falar, mas eu sempre silenciei. guardo comigo as frases bonitas e os bilhetes antigos, na carteira que não uso mais (guardo-a gorda de lembranças e sem dinheiro). alguns cabelos se perderam, alguns bigodes timidamente cresceram, mas a voz continua igual à do arnaldo, a minha cada vez mais rouca, cada vez mais amiga do cigarro. fumaças ajudam a espantar pensamentos, amarelos sempre voltam, sempre insistem. eu disse ontem, vários ouviram, que eu gosto da palavra insistir e ele, um deles, falou em insistir como se fosse um cheiro bom, disse no mesmo dia, ou nas primeiras horas do dia que se seguiu. disse depois de uma conversa entre quase surdos que se entendem com o pouco que pensam escutar. eu não sei mais conversar, algum dia eu soube? quanto mais silêncio, mais silêncio. é que eu não sei contar histórias pela metade, só aqui. porque aqui nem sempre conto histórias, porque aqui dá pra ser qualquer frase, bonita ou feia, qualquer coisa que não fique ilesa. eu até prefiro as feias com seu charme. mas não era pra ser diário. talvez conjunto de deslizes. talvez excesso de verve e falta de vias. não era pra ser diário. melhor dia rio, não é? ela, uma delas, me ensinou.

Comentários

MayrA disse…
ohhh... que lindeza as tentativas... amo as tuas. beijo
Guilherme Franco disse…
você é melhor do que eu imaginava...

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