pés paralelos (ou travessia)

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nem tão velozes. não tão rápidos quanto gostariam, pela proximidade. nem tão ligeiros quanto poderiam e vão. o suor que seca assim que desce. pelo vento que sobre o braço, nos cabelos. aqueles que faltam também passam. aqueles que voam. aqueles que passam também ficam. nem tão líquidos, sobre a baía. ao som do motor do avião que sobre as cabeças, no horizonte dos olhos, pousa. nem tantas baías. nem tantos peixes (não me deixe), nem tantas voltas que ainda. que ainda ele ali: olhos verdes e barba rala. nem tão poucos pés quanto desejariam. nem tanto equilíbrio. muito mais do que pretendiam. e alguns loucos que cantam. algumas joanas que dançam. alguns, só alguns telefones que tocam pra falar dos que não esperam. pra falar dos que não entram nessas ondas. o suor já seco. o vento até agora. e as lágrimas inexistentes na aridez daquilo que é frio. algumas luzes ainda, algumas luzes ao longe. cada vez mais. alguns cadáveres que nadam. algumas barcas à noite. de afogados vivendo. de desistentes insistindo. não vá pra casa. aqui é tudo estrela, tudo veia, algumas estradas e poucas velas. nada velho e alguns que velam. o paradoxo líquido de ar que vive no fundo. que se move sob. que se move sobre os pés que não. que cheira à mijo e apesar de tudo. doce como aquela bala de agosto. gosto do suor que seco ainda. não volta mas molha. saliva e sal de mar. molhado ainda. fica. até a esquina. até a curva de minha vida que espirra. em onda forte. feito turbina.

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