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ele tem o silêncio tatuado na pele, mãos dissimuladas que não confessam todo o trabalho e sangue e um nariz adunco que me cheira inteira até esvaziar. ele tem nos olhos uma sombra de poeira e a boca incerta devora em partes a minha fala costurada com coerências inventadas.

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o que fazes com minhas palavras meu bem, quando o que quero é só dizer que te quero?

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mentira.

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eu queria também hoje um presente, poderia ser pequeno e de papel, eu queria de presente o lábio teu. eu queria de presente um passado pra reinventar e um outro estado onde morar, que fosse novo como aquele signo do zodíaco... que não fosse nem aqui nem lá.

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(e aos poucos ele vai embora. pouco à pouco ele desaparece, quase passo à passo na longa estrada. e ela, que pensa que anda, fica parada, solitária.)

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