janeiro

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é porque é janeiro, que já não há aquele ar de continuidade. é preciso procurar um início se início não há. e vejam que eles acabam realmente acontecendo. sim, eles acabam.
acaba que o início acontece. entre o verde plano e a umidade dos porões, quando distantes, suspendo alguns começos numa nem tão clara escolha de ficar sobre esse monte, observando à distância a palude e os terrenos áridos.
mas não é a mim que preciso enganar com esse falso equilíbrio. não há como negar os lençóis encharcados ao amanhecer e um desejo secando ao sol, no fim da tarde, qual charque no varal. se é de começo...? quando os ares da montanha me foram indicados para a minha boa saúde, acabei ficando sem ar. sem ares de continuidade, tampouco novos ares. o que há é um binóculo e um velho moribundo observando da montanha, uma casa de madeira com grandes frestas que o impedem de viver sem ventos de fora. o seu jardim quer águas da palude, mas há cactus que desejam o terreno do outro lado. o velho cego atrás do binóculo quase pensa com o pouco sopro de vida que lhe resta: é preciso saber viver sem estar em lugar algum.
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de onde é possível então sorver esse ar? do que se preenche esse calor vazio , esses dias de rotinas inventadas, de horizontes ofuscados e metas esquecidas?
o início de nada
entre um dia de sol ameno e chuvas esporádicas e uma noite úmida com muitas moscas.

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