fevereiro

e já era quase fevereiro e já era quase não mais, porque ele é pequeno como uma manhã pequena que se passa inteira a podar pimentas secas. eu - que de inteira nem lembrança – podada como um mês de fevereiro seco. tua pimenta em fevereiro que não tenho, não tenho o fevereiro que já vermelho. se vai. vermelho como tarde de céu azul sem branco de nuvens. azul como o mar que é perto, mas não me acolhe tão bem em sua revolta salgada água como a mais distante violência de águas doces da chuva. é sereno, é sereno e se vai sem saber como. se vai. pra ser quase março, dia do teu aniversário que foi quase em fevereiro. num dia inexistente entre a cor e a sua pimenta. entre o sol e o que queima. entre o que escorre em tua bochecha e o que seca. entre o rosa da pele e a transparência. entra na água, entra na água e esquece. entra na água e econtra o ponto em que o que escorre já não se encontra, pois acolhido no todo liquido salgado que te envolve.




um pedacinho pro Gabi, de aniversário

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