eu corro atrás do barco. não é preciso muito, para ver que eu afundo. todo segundo é o último diante de meus olhos obturados. não olha pros lados, viu? finge que é tudo. e enquanto isso, definha, querida. eu volto. um dia. em algum momento escuro, em alguma fresta de janela, num dia que não seja de feira. finge que é tudo. eu até passeio contigo, te pego pelo braço... só me falta o teu cansaço e uma cara que não seja de sorriso indeciso. só me falta tu,dobrada, estendida ou pervesa. doente, cansada ou amena. mas por favor, não enlouqueça. não comigo. não comece. há de ser só um deslize, algo não contabilizado nos teus preciosos dias precisos. eu falo e eu fujo. desfalo de medo. desfaleço de desgosto. e finjo. eu sei sorrir tão bem! e acredito. só a ninguém convenço de que meu desejo não seja claro, decidido e obstruído.

em dias de sol dói mais, a dor no peito. em dia de calor ataca, a amiga asma. em dias de torpor ela insiste em ser epilética.

o barco anda. o corpo afunda. não fala sobre, mas subsiste.

de grão em grão, mantém-se vivo o supliciado.

Comentários

Postagens mais visitadas