depois que ela partiu

o dia nem começou. por isso ele insiste em não acabar. a roupa suja, os lençóis cheirando a ela, o ar cheirando a astros e nossos passos cansados de uma semana cheia. cansanda da neurose alheia, a semana cheira a gentes. a olhos. de verdes a puxados. a nomes. engraçados ou esquecidos. que não se quer guardar e a outros, em luta na agenda, em silêncio atrás do sono. no sol do que não foi, cabelos pesados de mar. leves, espalhados pela cama. preocupações postergadas de março, espelhadas no teto. desperta. como um coelho de despertador espaçonave, despertador natalício, despertador oriental, ou rock 'n roll. e ao amarrotado do que não foi, nem será, acorda. com muitos nomes a empilhar e raros gestos.


penetrar na densa morte que há em transpassar momentos que se apresentam como portas. o que se passa de um dia a outro, no que demarca o início ou o fim de algo. uma partida. o fim de uma partilha, o suspender dos silencios conquistados. desmama. a violencia são esses corpos a esperar no ponto do ônibus. desmanda. a beleza: a comunhão no meio-fio. a surpresa de caminhos fora de rota. é um perigo, beibe? perigo? o perigo está em mim.


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