do lá para o si

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todo o descompasso inapreensível. e os olhos roubados ou invisíveis. a memória que é só vazio, e a presença que é dos covardes. não importa. "há mais esforço do que pernas para permanecer longe", há mais conforto e mais poltronas, mais cátedras e mais letras, pobres palavras que desconhecem poesia. "antes os pés se encontrem" com o solo. não sei se sou ou se suo. antes sua não fosse. de ninguém e de todo mundo, ainda morro de excesso de poros, falência de filtros, aderência ao que se encosta, amostra sempre disponível. "caso aconteça". acontece. do lá para o si - o mim se faz com o distante. mas e o quem fica? tem galhos que nascem de ré e sol na cabeça. e o quem entra só ninguém sabe quando desfinca. o problema de uma casa toda aberta é que ela dificulta os meios de se criar uma saída. o problema da casa engraçada sem teto sem nada não é o sermos bobos, mas desfalecermos infinitamente no número zero. para onde vai o nosso esmero? “antes os pés se encontrem” com um qualquer próprio. “antes os pés” se encostem. “antes os pés se encontrem” com o solo.
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do prazer de ler ao desejo de escrever: disparado pelo texto do Diego Lima:
Toda a distância, todo o compasso inevitável. Os olhos venenosos que ainda guardo aqui, comigo - a memória não deixa lembrar quem os tomou ou deu. Não importa. Há mais esforço do que pernas para permanecer longe. Caso aconteça, antes os pés se encontrem que os olhos.
Há roupas suas ainda no meu armário. Coisas que não trocamos quando nos devolvemos aos nossos mundos. Roupas que às vezes uso, quando quero seus abraços.

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