ainda morreremos tanto e será só o começo


.pro  Cadu

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anoitece, é meio claro, é meio cinza, nesse que é, desde há muito, o mesmo meio-dia, meio calmo, meio brisa.
anoitece e é uma entre-luz de planos. chama pequena. chamada, fogo, telefonema.
acende e some, atende e assopra. é tão rápido o fechar do vão da porta. eu fico. alguém cantava ao longe. você doía dentro. e eu no meu quarto.
passou muito rápido. é por que não passa. "o que se passou" sempre fica.
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anoitece no meio da tarde, naquele que é, desde o momento, o meio do pouco entre o que gora e o que arde.
anoitece e é um sem-sombra que o sol acorda de dúvidas. chama que ilumina. lâmpada, fogo, lamparina.
a-paga e engole, esquece e explode. tão mais pequeno para passar pela fresta que resta. eu sigo. o canto ao longe. você se esparramando. e eu nas escadas.
passou bem devagar. a mão na minha. a clareza suficiente para dar dois passos.
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anoitece, finge que dorme. no fundo do olho ainda há um quase azul recusando o escuro. desse que é pai da meia-noite que nos chega de olhos abertos. desse que é o muito. desse que é o mudo medo de adormecer e acordar si-mesmo.
ascende e soa, desaparece e ecoa. dormimos tão pouco, mas a porta está toda aberta. eu ando. canto alto e você inventa a dança. os dois na rua.
passa. passo e passeio. passe lá em casa, na praça ou na festa, mas anoiteça à toa.

Comentários

quartoimaginario disse…
hmmmmm
difícil dizer. li apenas uma vez... e é muito rico de informações... inclusive sensoriais... mas, por enquanto, posso dizer que é muito bonito... pelas imagens que evoca, pela dança que insinua, pela música e sons das palavras que mostra... muito bonito... depois leio mais, digo mais...
lindo.
Eu disse…
Bom. Muito bom. Obrigada.
gueto13 disse…
Muito inspirador, adorei!

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