Levante (for an instance)

(por Gabriel Alvarenga)

Quem tem os movimentos idiotizados afinal? Você que firma o braço e lambe os lábios quando a descarga energética da sua cabeça se eleva, ou eu quando abaixo a guarda pro mundo e fico aqui batendo cabeça e me contorcendo? Algum sabe o que fazer?

Não tenho certeza, mesmo. O espasmo, é isso e só. Não faz a menor diferença afinal. A sua explosão é ritmada, quase que marcada na agenda de suas células, só você fica sem saber, mas seu corpo sabe. A minha é burrice, dessa que quando a gente percebe o que está fazendo, se vê assim, o bobo no meio da praça.

Qual a mais perigosa

garota? Se ver por instantes, e muitos anos destilados, refém dum mistério interior que te espreita sem dar sinal da não dormência em que ele está atualmente a tramar contra a sua ida ao bar. Ou a minha convulsão esfarelada por sobre os dias vazios, os telefonemas sem sentido algum que o desencontro, as letras sem sentido, as dormidas às altas horas e sonhos por vezes mais reais que a porra do dia?

Ninguém responde, a gente é assim, fica sendo o que consegue, inventando possibilidade onde as coisas endurecem, se acuando quando as coisas afrouxam, fazendo das tripas corrimão pra descer ou subir pra outro lugar, bebendo por subsistência ou desleixo.

Menina, moça, baby, parece que afinal a carruagem quer passar não só pela nossa boca, mas sim nos virar do avesso, nos transformar em poeira de roda de carroça desembestada em qualquer rua de paralelepípedo dessa cidade cheia de becos e repetições.

Por onde andará o contento? Aquele moço, aquela hora em que a gente dá risada, a inteligência dentro da cabeça da criança viva, o grito dentro da garganta do passarinho, o nó do arremate que finda os dias esgarçados que nos rodeiam?

Um bocejo, por que a minha ira é devastadora, implosiva, e sinto a ela como a seus acessos. Sua boca e sua pele, seu cheiro, e minha consistência se faz um pouco mais firme por um instante, pra que tudo isso, por onde andará famigerado contentamento?

Tenho a ligeira impressão de que temos dias plenos de perdição a nos seguir, não que eles nos alcancem na esquina, não somos disso. Mas ficam farfaleando por sobre nossa visão malandra de tanta rua, por sobre nossas espertezas corpóreas de palavras fúteis, por nossa pele manchada de cor e tempo, por sobre nossas cabeças abençoadas pelas mães assim tão distantes.

Olha, quero pedir uma coisa, faz assim, vamos dar corda ao relógio e jogar fora, façamos o que precisa e que desperdice-se o necessário, sempre.

Precisamos ser todos, andar pelos arbustos pétreos e cheios de gente escorada que se faz dentro de uma instituição tão idiota como a nossa rotina feia. Fazer do chá de toda hora um elixir que nos transmute em qualquer raspa, qualquer resto de 80 como somos afinal.

Bom, beba comigo, mas se for demais, deixa que eu bebo o final já requentado, não ligo.

Um beijo, um cigarro, uma coisa assim sem nome e a vida explode, deixando nossos pedaços por todo o Mundo, que lástima, temos de catar tudo de novo pra dinamitar mais uma vez cheios de alegria!

Not that optimist, but it´s ok, fuck off with the sense... just tired and in urge off doing something cruel... maybe living for an instance…


(presente de obscuro fulgor)

Comentários

Postagens mais visitadas