Profundidade



Comecei a estranhar a profundidade, acho que por que comecei a vê-la, percebê-la. Por exemplo, essas folhas. Elas estão por toda parte. Não. Eu não estava querendo dizer das folhas de papel branco, ou branco rabiscado. Com linhas ou não, mas escritas. pela metade, preenchidas, desorganizadamente, com algumas anotações, textos, pedaços de música, livros, receitas, contas.... não. Eu estava falando das folhas verdes. Há essas aqui muito próximas da minha janela. Veja. Eu sinto o vento que entra da janela, é como se elas empurrassem. Quando eu era pequena eu pensava que as janelas, não, não as janelas, as árvores que produzissem o vento e não que o vento balançasse as árvores. Eu já escrevi isso alguma vez por aqui, talvez em algum desses papéis brancos, não brancos, mas brancos pela metade, rabiscados, rabiscados por inteiramentade, com receitas de poesias, inícios de textos, inícios de poesiemas e coisas pra dizer pra pessoas que nunca direi, ou emais, emails que nunca nunca mias enviarei, ou talvez não... mas eu dizia que quando eu era pequena eu pensava que o eram as árvores que faziam o vento. E não o vento que balançava as árvores. E agora tem essas folhas aqui na minha janela. Eu devo ser uma espécie de pessoa sortuda. Um, por estar dentro de casa agora; dois, por conseguir uma espécie de tentativa de ar que entra da janela. Dois, pelas folhas me mandarem esse vento. Bem, eu continuo pensando que são elas. Se não são, eu me acho sortuda de ver que elas ali, apesar de me angustiar, na verdade não me angustiam as folhas. Eu tava falando da profundidade. É que tem essas folhas logo aqui ao lado da minha janela. E tem aquelas logo ali à frente que deve ser da árvore do outro lado da rua, eu não vejo a separação das duas, elas fazem um todo verde de folhas, mas eu percebo a profundidade. Quando eu percebo que percebo muito bem a profundidade, e começo a ver muitos verdes como por exemplo a luz do sol que bate nas folhas do outro lado da rua e agora desviando o olhar um pouco à direita eu vejo o reflexo das folhas e outra árvore ainda que deve estar localizada desse lado da rua, mas não é aquela que fica colada na minha janela...ela reflete no vidro da janela do prédio do outro lado da rua e eu vejo essas folhas verde escuro acinzentado e logo em frente outras ainda verde, mais brilhosas encostadas no muro amarelo, e sobre elas cai um galho de outra árvore ainda, eu sei que é outra árvore mas eu não a vejo e esse galho é mais escuro pois não está no sol ele pende de algum lugar muito alto e é um verde mais opaco. Então esses brilhos e opacidades, essa clareza e profundidade que consigo ver perceber e sentir começa a me assustar e enquanto escrevo vou perdendo o tino, talvez se não estivesse escrevendo não estaria mais aqui, se só me perdesse a perceber profundidades já estaria num lugar mais profundo verde colorido azul celeste e com cores inenarráveis, talvez o que me mantenha aqui agora com uma presença de alguém que nem sei quem é apenas o fato que me esforço para narrar isso para alguém, apenas a linha reta dessas linhas pretas que faz com que eu perca a prpfundidade ou a deixe passar ou pense, é assim mesmo, o mundo tem dessas coisas, e a gente passa por ele, ou essas coisas passa, essas coisas, se passam, e é assim mesmo que há de passsar...

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