Azul




Era um dia cinza em frente ao mar. Estar ali dizia de algum modo de um porvir. Aquele movimento mínimo que se faz em direção a um futuro ainda desconhecido. Concurso, concours, course… não sabe bem com o que, com quem percorre esse caminho. Com uma parte de si mesmo. Ali não é tão longe, mas é distante o suficiente. Existe um ar de sonho quando se chega a uma cidade sozinhos. Aquilo pode ser esquecido sem que nunca se possa dizer: lembra? E, no entanto, a cama desconhecida, as ruas a conhecer, e aquele bar quase abandonado não longe da areia compõem a memória de um velho que, no século 30, diante do piano, ao tocar algumas poucas notas: lembra. O copo de cerveja e os pensamentos daquele lugar – litoral, chego e já penso em nem voltar mais, quase nem me mexo numa mesa perto do mar – essa coisa esquisita, uma vontade de ficar falando que não lembrava, parece quase aquelas viagens que se faz sozinhos. Estava viajando sozinho. No litoral quando reencontrou naquele dia cinza em frente ao mar algo de si. Algo de sim. Um sim que talvez um dia. No mar, sem âncoras nem coroas.

Tem esses pensamentos enquanto a música faz uma onda. Ondas para quebrar. Descobre que ela era também uma caminhada, course. Aquele movimento mínimo que se faz em direção a um futuro ainda desconhecido. Aquele, que fez ao entrar no ônibus em direção ao litoral. Como uma flecha. Talvez, quem sabe, um dia...

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