Gimme a pose


Assisti no sábado Gimme Danger, documentário do Jim Jarmusch sobre o The Stooges. Acho que o que resume o filme é: um grande performer dirigido por um grande diretor ambos em ação pra contar uma história e onde a historia não é o principal, mas o próprio contar. Humor, leveza. Você sai do cinema mais leve, passa o filme com um sorriso no rosto, quando não dá gargalhadas. Ali as coisas se passam, não interessa tanto o que, mas como, as mortes acontecem, são tristes, mas não trágicas, a droga destrói, também mata, mas não é algo pessoal, reforçada por um meio, mas também problema de uma época. É uma historia de amor, por um som, por um modo de ser, por parceiros.
Ontem assisti Strike a pose, filme sobre os dançarinos que acompanharam Madonna na turnê Vogue e que é dirigido por Ester Gould e Reijer Swaan. Fui impulsionada pela sinopse que falava de como a presença desses bailarinos, promovidos em sua relação com Madonna mobilizou uma campanha contra a homofobia, contra o preconceito em relação à AIDS. Fui dessa vez sem nem ter visto o trailer, mas imaginando um filme que juntasse muita dança, uma dança de rua, já que alguns deles tinham essa origem, dança de rua + política. Uma política que para mim ainda era invisível, já que de Vogue não conheço muito, além dos desejos do meu corpo que gostarm de (tentar) dançar.
Se em Gimme Danger a gente passa com um sorriso no rosto, um sorriso não bobo, mas potente, nesse filme somos reféns de diretores que nos querem fazer chorar. A todo custo. Diretores que vão até o fim na produção de um melodrama, querendo arrancar lágrimas do público a partir das lágrimas que já arrancaram dos personagens.
Não acho que todo filme tenha que nos colocar um sorriso no rosto. Juntei essas sensação por que foram muito próximas em mim, provocadas por dois documentários. Há várias formas de produzir beleza e potência, inclusive com o choro. Mas porque, quando encontramos performers, o que queremos tirar deles é o choro, o melodrama e não sua força? Nesse caso, as mortes são trágicas, as perguntas morais, o mundo que os personagens viveram todo destruído pela busca do glamour do dinheiro e show busness, que não era a verdadeira “essência” deles. Mesmo que a direção coloque eles num lugar de pessoas admiráveis, o que parece sobrar são pessoas que “já foram algo” e agora tem suas vidas comuns. É preciso mostrar que ainda dançam, mas com menos glamour. Então, ao mesmo tempo que parece ser um “olhar crítico” a esse mundo do glamour, que destruiu a vida deles com drogas, matou dramaticamente seus amigos e os deixou doentes, acaba sendo uma exaltação, pois essa história de antes, durante e depois da fama só reforça que o que era glamour é um trecho bem curto de suas vidas e que está no passado, como se as expectativas dessas pessoas não tivessem se concretizado. Ao mesmo tempo que faz isso, o filme procura tirar do “cotidiano simples", uma beleza que fosse mais “verdadeira” do que outras. A verdadeira do simples, que nos é apresentado com imagens épicas e musicas emocionantes.
Saí triste, com raiva me perguntando por que um filme assim? O que ele traz pro mundo? E amando cada vez mais performers (e diretores performers, os performers que somos o tempo todo) que nos mostram que essa busca da verdade é uma grande criação e que “all you need is your own imagination, so use it that's what it's for, go inside, for your finest inspiration your dreams will open the door”. “Express yourself” é um movimento. Aceite-C

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