quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Perfume de limão


Hoje cheirei um perfume na farmácia. Foi por insistência do Gabriel que tava abrindo a caixa e desenroscando a tampa pra eu sentir. Eu não queria, por que só de olhar o frasco cheio de folhas, flores e curvas, imaginava um perfume doce. Eu não gosto de perfume, sou muito difícil pra cheiros. Apesar disso, ele colocou o frasco no meu nariz. Inalei e, mesmo sem demonstrar muito, o que senti foi uma surpresa, Ele tem um cheiro que abre, disse um pouco exclamativa É de limão, respondeu o Gabi. A sensação era de um perfume aberto. Era leve, cítrico, com a acidez perfeita pra não fazer enjoar. Se eu fosse desenhar esse cheiro seria como se tivesse um V no tórax. Um V que saísse do peito, subisse pelos ombros e se espalhasse além deles, subindo para fora do corpo. Só mais tarde percebi que essa descrição alcança a sensação que não sabia explicar e que tive ainda hoje, de ti. A sensação não de querer ficar junto, mas a certeza da possibilidade de estar.

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